As nossas descobertas podem parecer confusas: por que razão se sentem os indivíduos sós quando têm boas relações com parceiros românticos, família e amigos (as pessoas mais importantes)? A resposta pode residir no nosso passado evolutivo. Os humanos são uma espécie social que aparentemente evoluiu em pequenas unidades de indivíduos que se conheciam bem uns aos outros. A união entre os membros era essencial para a sobrevivência, e os sentimentos de solidão provavelmente evoluíram como resposta a uma falta de ligação social, pois tal significava que a sobrevivência estava em risco. Contudo, a ligação entre membros de grupos tão pequenos não era suficiente. Desde os primórdios, a probabilidade de sobrevivência aumentava à medida que se estabeleciam redes progressivamente maiores de ligações sociais com outros grupos, ao ponto de se tornar difícil ter relações estreitas com todos os membros. Como resultado, se não for sentida a ligação com o grupo maior, surgem sentimentos de solidão, independentemente da existência de boas relações pessoais.
É provável que a confiança na ligação com um grande grupo de indivíduos seja despoletada por encontros sociais, tais como festivais de música, discotecas e eventos desportivos, entre outros eventos públicos. Neste contexto, as redes sociais parecem ser um modo promissor de reunir um grande número de pessoas sem ter de efetivamente se deslocar. Contudo, se dependermos das redes sociais para satisfazer os desejos de ligação social com grupos mais vastos, e as interações em linha causarem desilusão, ocorrerá solidão, mesmo se as relações com as pessoas mais importantes das nossas vidas forem profundamente satisfatórias.
Tudo isto chama a atenção para possíveis intervenções para reduzir a solidão; por exemplo, controlar os sentimentos de frustração social e reduzir ou parar as atividades em linha que as estão a causar. De facto, investigações anteriores sugerem que a redução da utilização das redes sociais é particularmente benéfica para pessoas que sentem inveja despoletada pelo que os outros publicam. Contudo, é pouco provável que este tipo de intervenção seja eficaz a menos que sejam empreendidas outras atividades sociais. Como tal, a promoção de atividades sociais, especialmente offline, parece ser importante. Curiosamente, pesquisas recentes sugerem que momentos de solidão positiva (estar só e sentir-se bem) também podem contrariar a solidão, uma vez que a falta desses momentos parece estar relacionada com solidão, independentemente da satisfação com as relações pessoais.